sexta-feira, 1 de setembro de 2023

“Café da Manhã em Plutão” (2005) de Neil Jordan com Cilliam Murphy - "Conto de Fadas" Nos Embevece, Mas Às Vezes Claudica

 



Este texto contém spoilers, ou seja, detalhes de filmes de Neil Jordan são revelados para a análise pretendida.

Estando “Oppenheimer” de Cristopher Nolan em cartaz com bastante sucesso de público e de grande parte da crítica, achei oportuno trazer à tona este texto sobre “Café da Manhã em Plutão” (2005), que publiquei originalmente no jornal eletrônico Montblãat, do saudoso Fritz Utzeri, onde Cilliam Murphy também é protagonista, assim como foi co-protagonista em “Ventos da Liberdade” (2006) de Ken Loach, Palma de Ouro em Cannes. 





Com Nolan Cilliam fez ainda participações especiais, especialmente em “A Origem”, até chegar a este grande protagonismo atual. Aqui se encontra comentários sobre “Café da Manhã em Plutão” de 2005, com correções, cortes, acréscimos e atualizações.

Para não se esquecer temos o sarcástico e divertido “A Festa” ( 2017) de Sally Potter ( de “Orlando”) onde Cilliam Murphy é um dos adoráveis e muito engraçados desajustados, num elenco fabuloso, dentre outros filmes, com os quais, confesso, estou em falta.  


1-“Café da Manhã em Plutão” (2005) de Neil Jordan com Cilliam Murphy

"Conto de Fadas" Nos Embevece, Mas Às Vezes Claudica 



Neil Jordan é um dos grandes realizadores do cinema contemporâneo, com obras surpreendentes, originais e fortes como “A Companhia dos Lobos” (1984), “Mona Lisa”(1986),  “Nó na Garganta”(1997), “Fim de Caso” (1999), etc... Foi com o sensacional “Traídos pelo Desejo” (1992) que ele ampliou seu prestígio aliado com o ganho de um sensível público proporcionalmente ao investimento pequeno do projeto. A incrível história de um militante do IRA (Exército Republicano Irlandês) que indo a Londres numa missão de amizade para cumprir a promessa que fez a um preso negro que sua organização executou, que se apaixona pela namorada dele e não recua ao saber que ela é um travesti, desligando-se do seu grupo e sendo por ele perseguido, ganhou o mundo, sendo indicada a 5 categorias do Oscar, uma façanha na época para um filme independente dos grandes estúdios, recebendo o prêmio de melhor roteiro original. 

Neil Jordan com a celebridade adquirida chegou até a realizar uma produção de contornos mais hollywoodianos, com alto custo, “Entrevista com o Vampiro” (1994), uma obra irregular, com a vantagem mercadológica de contar com os astros Brad Pitt, Tom Cruise e Antônio Banderas como vampiros. Mas sendo obra de Jordan merece ser revista para vereditos mais consistentes, o que ainda estou por fazer. 









“Café da Manhã em Plutão” (Inglaterra/Irlanda/2005) tem pontos de contato, mas são bastante tênues, com o festejado “Traídos pelo Desejo”. Em ambos temos uma história com travestis com a violência dos embates do IRA e o exército britânico como pano de fundo. Mas o tom da narrativa destes filmes difere completamente. O filme mais recente almeja ser um conto de fadas (somente adulto?), bizarro e surreal, vertente que Jordan explorou com forte clima psicanalítico em seu sensacional “A Companhia dos Lobos” (1984), que é uma caixa de surpresas de histórias que puxam outras, com belíssima circularidade e efeitos especiais admiráveis para uma era que não a digital. 



Já seu premiado e mais consagrado filme, “Traídos Pelo Desejo”, com seus arrebatadores progressivos desdobramentos das situações e dos conflitos interiores de seus protagonistas, além de uma visão candente dos imperativos do amor e desejo, se constitui numa parábola de encenação realista, onde se lida com a suposta maior persistência de caráter do nativo em Escorpião, para o bem e para o mal... A famosa história do escorpião que quer atravessar o rio nas costas de um sapo nos é contada.


Baseado em romance de Patrick McCabe (autor também de “Nó na Garganta”/”The Butcher Boy”) com ambientação nos anos 60 e 70, “Café da Manhã em Plutão” é narrado em 36 capítulos, com títulos literários, sem nenhuma rigidez, obedecendo apenas a um charmoso bom humor que tenta captar os estados de espírito de seu protagonista.

Numa pequena cidade da Irlanda, Patrick “Kitten” Braden (em português chamado “Gata”), num trabalho minucioso, arrojado e excelente de Cilliam Murphy, quando bebê foi abandonado num cesto pela mãe na porta da casa do Padre Bernard (Liam Neeson*). É criado por uma família que não aceita a naturalidade com que vai mostrando suas inclinações homoeróticas e seu gosto pelo travestismo. Na escola católica onde estuda tem conflitos com um professor e até mesmo com o diretor que se mostra de início solidário. O pai de um amigo com síndrome de Down conta-lhe que sua mãe trabalhou como empregada na casa do padre, era a mais bela garota da cidade, se assemelhava com a estrela de cinema Mitzi Gaynor, tendo ido depois morar em Londres. 


Numa redação escolar Patrick fantasia um encontro amoroso da empregada com o padre, sendo acusado pelo professor de obscenidade. Numa caixa de dúvidas dos alunos, levanta a questão de como fazer uma operação de mudança de sexo, outro ato tido como heresia. Mal visto na escola e sem apoio na família que o acolheu, Patrick sai de casa. Uma amiga constante que terá é Charlie (Ruth Negga). Inúmeras pessoas cruzarão sua vida em situações pitorescas, surreais, ora trágicas, ora cômicas, ora tragicômicas.



Patrick envolve-se com motoqueiros cujo líder, alterado por drogas, lhe fala de uma viagem a espaços astrais onde se toma café da manhã em Plutão. Sem aderir de forma alguma a drogas e sim por temperamento, modo de enxergar o mundo, satisfeito com seus desejos, com conflitos sim é com a sociedade que o cerca, ele está sempre no clima de quem está mesmo tomando um café da manhã em Plutão e não neste nosso planeta Terra.

Patrick faz show vestido de índio (a) com Billy Hatchet (Gavin Friday), torna-se amante dele, mal entendendo as ligações que ele tem com o IRA, lidando de forma muito peculiar com armas escondidas num subsolo da casa. Ao testemunhar um atentado a bomba, ele terá reações que para si são as mais naturais, mas que lhe criarão sérios problemas.



Para Patrick, Londres, a cidade onde a mãe está, é a maior cidade do mundo e é para lá que vai à sua busca, fugindo das restrições do lugar de origem. Em Londres conhece o mágico Bertie (Stephen Rea, o ator fetiche do diretor, que faz um padre em “Ondine”/ 2009), com quem começa a trabalhar, alguém que se encanta por ele mas o explora no trabalho. Ao tentar a vida como prostituto é rechaçado pelas mulheres na atividade, agredido por um cliente, salvando-se de forma inusitada. 

Por mais percalços que encontre, não há, entretanto, nada que  faça Patrick sentir baixa autoestima. Segundo Neil Jordan sua proposta é nos mostrar “como alguém sobrevive num mundo profundamente agressivo simplesmente sendo ele mesmo”. Jordan acrescenta: “Através desta insana insistência em ver o mundo como um lugar bonito, Patrick nunca realmente perde até mesmo quando ele perde tudo”. 




No refinamento do roteiro, Jordan se lembrou muito de “Cândido” de Voltaire, o eterno otimista que acredita que vive “no melhor de todos os mundos possíveis” mesmo diante de grandes infortúnios. Patrick é o total oposto do protagonista da peça “Um Homem é um Homem” de Bertold Brecht, vista nesta época de lançamento do filme em questão, numa adaptação à era Bush/Blair pelo grupo Galpão com direção de Paulo José, onde um indivíduo comum pacato se deixa impregnar totalmente pelas sucessivas repressões de que é alvo e torna-se terrivelmente repressor, uma máquina de guerra, ironicamente nascido para matar. Jordan mais do que em política está interessado em saber “como os indivíduos trabalham com o que lhes é dado”. Num paralelo de seu filme, ambientado em momentos críticos de manifestações do IRA, com a conjuntura política atual, tem-se uma visão sua bastante intrigante e peculiar:  


“Com todas estas repugnantes ideologias tentando dizer a você, o que você deve ser, num mundo onde você pode ir a um bar e o bar pode explodir, como você vai se comportar neste mundo? Patrick faz um belo e bom trabalho”.



Mesmo entendendo-se a proposta de Neil Jordan, com a reação saudável de seu protagonista a qualquer forma de despersonalização, não importa que violências psicológicas ou físicas o mundo exterior lhe apresente, lhe imponha e ainda sem esquecer a estrutura amável de conto de fadas do filme, onde até mesmo passarinhos são cronistas das situações (chegam ao requinte de citar uma boutade de Oscar Wilde), mesmo com todas estas ideias em jogo, o roteiro incorre em alguns momentos em facilidades demais, abusando da ótica não realista que o filme se propõe. Por exemplo, Patrick sendo vítima de uma explosão dentro de uma boate, é carregado em uma maca para um hospital com as pernas feridas e num corte rápido é mostrado sendo torturado e preso como suposto terrorista, mantendo suas reações bastante lúdicas (como o tempo todo) pode ser um pouco demais. O roteiro força a barra aqui como em outras circunstâncias. Esses atalhos para emoções muito calculadas que envolvem também encontros incríveis (só explicáveis por um Deus Ex-Machina muito brincalhão), até mesmo na última sequência, diluem a força de um filme que se pretende ser um conto de fadas não ortodoxo. Em “Na Companhia dos Lobos” homens tiram camadas de peles e se transformam em lobos, mas acreditamos em tudo que nos é proposto através de uma corrente de histórias bastante atraente.


O que o filme tem de melhor, além da excelente entrega total de Cillian Murphy a seu personagem bastante difícil, não caindo de forma alguma na caricatura, que se mostra bastante feminino sem deixar que enxerguemos um homem que se traveste, numa perfeita androginia, além das líricas bizarrices e muitas evoluções surpreendentes de seu roteiro, está na excelente direção de Neil Jordan. Um diretor menos talentoso com o material com que lida Jordan, levaria ao fracasso um projeto que exige muita delicadeza e cuidado para despertar rápida empatia com os inúmeros personagens que pipocam na trama. 



Mesmo assim, pela audácia e ambição do roteiro, Jordan fica algumas vezes limitado para dar vida satisfatória ao grande número de personagens do filme. O que pode representar riqueza por um lado, com muitas peripécias cômicas, trágicas, patéticas, por outro pode ser um sinal de superficialidade. A relação de Patrick com o cantor que está envolvido com o IRA é bem construída, mas outras relações não. Até mesmo a grande amizade com Charlie se ressente de melhor elaboração. É claro que a proposta do filme é nos mostrar como o protagonista lida com um torvelinho de situações muitas vezes até limítrofes. Mas a ideia básica de Patrick como alguém sempre infenso às repressões que sofre, mantendo o bom humor, o charme, se torna às vezes um tanto fabricada. Não é algo que se compartilhe invariavelmente com o personagem o tempo todo. 

“Um Homem de Sorte” (1973), outra obra-prima de Lindsay Anderson (de “Se...”/If...”, 1968, Palma de Ouro em Cannes), com Malcolm McDowell passando por muitas desventuras, mas sempre mantendo a paciência e o humor ( quase que numa atitude/beatitude Zen-Budista), um filme parente espiritual deste em questão, é muitíssimo mais bem sucedido e verossímil dentro da inverossimilhança proposta. 



“Café da Manhã em Plutão” tem muitos momentos de encantamento: a forma como se dão os encontros com a mãe e o pai,  mesmo com artifícios (sequências especialmente tocantes e de forte originalidade); algumas reversões de expectativas que realmente são formidáveis; o trabalho de direção impecável; a trilha predominantemente com hits dos anos 70, bastante adequada à pulsação do filme e de seu protagonista, onde se destaca o uso dramático da canção “Feelings” de Morris Albert; os devaneios espirituosos de Patrick etc. Ainda que no todo se faça restrições aqui e ali, não é a qualquer momento que se vai ao cinema ver um filme de Neil Jordan. Sendo assim este café da manhã tomado na sala escura do cinema como se fosse Plutão é irrecusável. É um ótimo antídoto contra esse café da manhã amargo e indigesto na Terra que estão sempre querendo nos oferecer.


*Liam foi protagonista de “Michael Collins - O Preço da Liberdade”(1996), grande filme de Jordan, sobre o líder criador do IRA, onde o cineasta mergulhou mais fundo, explicitamente, nos conflitos da Irlanda, dominada há séculos pelos ingleses, que culminaram em um sul autônomo numa partição em 1921, sendo que foi criada a Irlanda do Norte, onde continuaram os enfrentamentos com os ingleses que reverberaram na República. Em 28 de julho de 2005, o IRA anunciou formalmente o fim de sua luta armada contra o domínio britânico na Irlanda do Norte, prometendo buscar seus caminhos por meios políticos democráticos.



Ps1 As informações sobre as propostas do diretor foram extraídas do site original do filme que era bastante alentado, incluindo até mesmo detalhes de novo projeto de Jordan, a série “Os Bórgias”. É um site do gênero muito bem projetado em seus vários aspectos, uma coisa rara, quando deveria ser a regra: http://www.sonyclassics.com/breakfastonpluto/ ( Infelizmente não está mais disponível )

Ps2 Uma das “Fabulas Fabulosas” de Millôr Fernandes, que faria 100 anos neste 2023, explica um tanto os problemas de roteiro que “Café da Manhã em Plutão” tem e também “Ondine” (2009) do mesmo Jordan, onde se pretende a encenação do mágico com forma realista ao fim e ao cabo.

Um Leão e um Ratinho foram a um restaurante. O garçom perguntou ao Ratinho o que queria comer. Este explicou. “E o senhor, Leão, o que vai comer?” - perguntou o garçom. O Leão respondeu: “Seu imbecil, você acha que se eu estivesse com fome, estaria aqui com o ratinho?" Moral da História: mesmo dentro do mundo das fábulas temos que manter certa lógica.

2- “Ondine” (2009) de Neil Jordan, antes de começarmos a  perdê-lo para a televisão, com poucos filmes para o Cinema, sem nenhum realmente relevante, mesmo tendo Isabelle Hupertt. 

 

Neil Jordan volta ao que sabe fazer melhor: histórias com forte pé na cultura irlandesa, além dos elementos mágicos que também aparece em algumas obras suas. Syracuse (Colin Farrell, cada vez mais melhor ator, o que comprovou ainda mais com “Os Banshees de Inisherin” e “Na Mira do Chefe”, ambos de Martin McDonagh, “O Lagosta” e “O Sacrifício do Cervo Sagrado” de Yorgos Lanthimos, “Miss Julie” de Liv Ullmann, etc... ) é um pescador separado da mulher e com uma filha pequena com problemas sérios de insuficiência renal. É ex-alcoólatra e pesca/salva uma bela mulher em sua rede, que se diz chamar Ondine e não quer contatos com o "mundo exterior". Elementos realistas e mágicos vão se intercalando de modo que dentro da realidade interna do filme confundamos estes limites. Este já é um recurso bastante presente no cinema contemporâneo, seja na ficção, seja nos documentários (em muitos destes não se sabe os limites entre a ficção e o documentário, o que já está virando um clichê, quando mal empregado, mas esta é outra história...)


Com o canto de Ondine, Syracuse aumenta sua pesca quantitativamente e chega até a pescar bastante salmão com uma rede de arrasto que não é apropriada para isto. A filha, espertíssima, vai em busca do entendimento sobre o que é fabulação do pai, o que é realidade.

Uma das coisas mágicas fortes de “Ondine” é a grande coleta de salmões com rede não apropriada, enquanto Ondine canta. Isto é demais para que depois se tente uma interpretação realista para todos os fatos com imigrantes ilegais etc. Pode-se argumentar que seria uma coincidência. Mas que puta coincidência!!! Numa lógica de ficção eu até que aceito que ela seja pescada numa rede e salva, mas a pesca com grande fartura me pareceu forte demais. Milagre digno de Cristo...



Quando entra o estranho na história, o filme que tinha uma evolução relativamente plácida passa a ser narrado em atropelos. Sinal de que o diretor não confiava tanto assim no seu roteiro para nos convencer na versão final de que tudo se passa no plano da "realidade" e não no dos contos de fadas, ainda que termine com um casamento, onde ”serão felizes para sempre”.

Conforme bem observou um amigo, Syracuse aceita rápido demais a versão de Ondine de que não é uma criatura mágica. Não se passa assim do mágico sonhado à luz do dia, para o realismo concreto com tanta facilidade assim.

Outra coisa estranha no filme: se a filha estava enfim recebendo o transplante de rim tão desejado depois do acidente, não era para Syracuse acreditar tanto na ex-mulher quando ela diz que eles estão numa maré de muito azar...

Mas enfatizo, o filme como um todo merece ser visto, pois é muito bem dirigido, com imagens e planos incomuns muito bonitos. E o roteiro mesmo com furos, conforme “Café da Manhã em Plutão” é bastante atraente. Sendo este, relativamente um filme bem melhor. 

Já “Ondine” não tive ainda condições de rever para conferir se as restrições permanecem. 





sexta-feira, 10 de março de 2023

Oscar 2023: Os Indicados, Os Esnobados, Os Que Sobram, Os que Prefiro e os Que acredito que Vençam, independentemente do Meu gosto.

Oscar 2023: Os Indicados, Os Esnobados, Os Que Sobram, Os que Prefiro* e os Que acredito que Vençam, independentemente do Meu gosto.

*Para tal devo me ater só aos indicados. 



1- Oscar 2023-Os Indicados 

Tudo em Todo o Lugar lidera com 11 indicações; veja lista- Fonte: https://www.omelete.com.br/oscar/oscar-2023-indicados 

Cerimônia deste ano acontece em 12 de março

Omelete

Caio Coletti 

24.01.2023, às 10h57

Atualizada em 02.02.2023, às 15h46

O Oscar 2023 revelou hoje (24) os seus indicados, com Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo na liderança da lista com 11 nomeações, incluindo melhor filme, melhor direção (para os Daniels) e melhor atriz (Michelle Yeoh). Confira a lista completa mais abaixo.

A segunda posição, enquanto isso, ficou com Nada de Novo no Front, filme de guerra alemão lançado pela Netflix, que surpreendeu ao faturar nove indicações (incluindo melhor filme). Ele veio empatado com Os Banshees de Inisherin, que também foi lembrado nove vezes pela Academia.

Enquanto isso, Elvis levou oito indicações, e Os Fabelmans apareceu com sete. Os vencedores do Oscar 2023 serão revelados em cerimônia que acontece em 12 de março.

MELHOR FILME

Nada de Novo no Front


Avatar: O Caminho da Água


Os Banshees de Inisherin


Elvis


Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo


Os Fabelmans


Tár


Top Gun: Maverick


Triângulo da Tristeza


Entre Mulheres


MELHOR DIREÇÃO

Martin McDonagh, por Os Banshees de Inisherin


Daniel Kwan & Daniel Scheinert, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo


Steven Spielberg, por Os Fabelmans


Todd Field, por Tár


Ruben Östlund, por Triângulo da Tristeza


MELHOR ATOR

Austin Butler, por Elvis


Colin Farrell, por Os Banshees de Inisherin


Brendan Fraser, por A Baleia


Paul Mescal, por Aftersun


Bill Nighy, por Living


MELHOR ATRIZ

Cate Blanchett, por Tár


Ana de Armas, por Blonde


Andrea Riseborough, por To Leslie


Michelle Williams, por Os Fabelmans


Michelle Yeoh, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo


MELHOR ATOR COADJUVANTE

Brendan Gleeson, por Os Banshees de Inisherin


Brian Tyree Henry, em Causeway


Judd Hirsch, em Os Fabelmans


Berry Keoghan, por Os Banshees de Inisherin


Ke Huy Quan, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Angela Bassett, por Pantera Negra: Wakanda Para Sempre


Hong Chau, por A Baleia


Kerry Condon, por Os Banshees de Inisherin


Jamie Lee Curtis, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo


Stephanie Hsu, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Martin McDonagh, por Os Banshees de Inisherin


Daniel Kwan & Daniel Scheinert, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo


Steven Spielberg & Tony Kushner, por Os Fabelmans


Todd Field, por Tár


Ruben Östlund, por Triângulo da Tristeza


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Edward Berger, Lesley Paterson & Ian Stokell, por Nada de Novo no Front


Rian Johnson, por Glass Onion: Um Mistério Knives Out


Kazuo Ishiguro, por Living


Ehren Kruger, Eric Warren Singer & Christopher McQuarrie, por Top Gun: Maverick


Sarah Polley, por Entre Mulheres


MELHOR FOTOGRAFIA

James Friend, por Nada de Novo no Front


Darius Khondji, por Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades


Mandy Walker, por Elvis


Roger Deakins, por Império da Luz


Florian Hoffmeister, por Tár


MELHOR TRILHA SONORA

Volker Bertelmann, por Nada de Novo no Front


Justin Hurwitz, por Babilônia


Carter Burwell, por Os Banshees de Inisherin


Son Lux, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo


John Williams, por Os Fabelmans


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

Sofia Carson - "Applause" (de Tell it Like a Woman)


Lady Gaga - "Hold My Hand" (de Top Gun: Maverick)


Rihanna - "Lift Me Up" (de Pantera Negra: Wakanda Para Sempre)


"Naatu Naatu" (de RRR)


Son Lux - "This is a Life" (de Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo)


MELHOR EDIÇÃO

Mikkel E.G. Nielsen, por Os Banshees de Inisherin


Matt Villa & Jonathan Redmond, por Elvis


Paul Rogers, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo


Monika Willi, por Tár


Eddie Hamilton, por Top Gun: Maverick


MELHOR FIGURINO

Mary Zophres, por Babilônia


Ruth E. Carter, por Pantera Negra: Wakanda Para Sempre


Catherine Martin, por Elvis


Shirley Kurata, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo


Jenny Beavan, por Sra. Harris Vai a Paris


MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

Nada de Novo no Front


Avatar: O Caminho da Água


Babilônia


Elvis


Os Fabelmans


MELHOR CABELO & MAQUIAGEM

Nada de Novo no Front


Batman


Pantera Negra: Wakanda Para Sempre


Elvis


A Baleia


MELHOR SOM

Nada de Novo no Front


Avatar: O Caminho da Água


Batman


Elvis


Top Gun: Maverick


MELHORES EFEITOS VISUAIS

Nada de Novo no Front


Avatar: O Caminho da Água


Batman


Pantera Negra: Wakanda Para Sempre


Top Gun: Maverick


MELHOR ANIMAÇÃO EM LONGA METRAGEM

Pinóquio de Guillermo Del Toro


Marcel the Shell with Shoes On


Gato de Botas 2: O Último Pedido


A Fera do Mar


Red - Crescer é uma Fera


MELHOR ANIMAÇÃO EM CURTA METRAGEM

The Boy, the Mole, the Fox and the Horse


The Flying Sailor


Ice Merchants


My Year of Dicks


An Ostrich Told Me the World is Fake and I Think I Believe It


MELHOR CURTA METRAGEM EM LIVE-ACTION

An Irish Goodbye


Ivalu


Le Pupille


Night Ride


The Red Suitcase


MELHOR FILME INTERNACIONAL

Nada de Novo no Front (Alemanha)


Argentina, 1985 (Argentina)


Close (Bélgica)


EO (Polônia)


The Quiet Girl (Irlanda)


MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA METRAGEM

All That Breathes


All The Beauty and the Bloodshed


Fire of Love


A House Made of Splinters


Navalny


MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA METRAGEM

The Elephant Whisperers


Haulout


How do You Measure a Year?


The Martha Mitchell Effect


Stranger at the Gate


2- Os Esnobados, Os Que Sobram 

Para melhor entendimento das minhas escolhas sugiro ler também a postagem anterior onde comento os melhores filmes vistos em 2022. Comentários, de modo geral, não serão repetidos aqui onde aparecem filmes que só consegui assistir em 2023.  

Mesmo com todos os erros cometidos, sou fã do Oscar porque é inegavelmente a grande festa mundial do Cinema, num nível internacional que os grandes festivais como Cannes, Berlim e Veneza não alcançam. 

Numa época em que muitas pessoas acabam se restringindo ao que conseguem ver no streaming ou pelos torrentes da vida, é preciso termos esta festa que celebra a força do Cinema na Tela Grande. Praticamente, mesmo que acabem no streaming, com exceção absurda de “Nada de Novo no Front”, dos curtas-metragens e documentários, a maioria dos filmes indicados passaram/passam/passarão pela Tela Grande, onde os filmes são vistos em comunhão como uma missa leiga, como gostava de se referir Federico Fellini.

2.1 Melhor Filme  

Babilônia 

O filme mais subestimado nesta temporada de premiações e indicações é “Babilônia” de Damien Chazelle, “uma carta de amor ao Cinema”, mas escrita com muita raiva sobre tudo que pode ocorrer de ruim durante as filmagens, principalmente na transição do Cinema Mudo ao Cinema Falado. 

Damien Chazelle se inspira em filmes conhecidos, mas inova bastante no tratamento deste tema, com grande dose de coragem, sem receio de trabalhar com escatologias.Nunca vimos antes nada parecido com “Babilônia”. É um passo além de “Cantando na Chuva”, “Crepúsculo dos Deuses” e “O Artista”. Para tal, conta com excepcional entrega de Margot Robbie, como Nellie LaRoy, uma atriz que luta para ter sucesso no Cinema Mudo que não vai se adaptar ao Cinema Falado, assim como o astro vivido por Brad Pitt, Jack Conrad, num misto de fragilidade e cinismo.   

Temos também em destaque o faz tudo que se torna produtor Manny Torres (Diego Calva, magnífico) que vai sobreviver a todas as intempéries, inclusive ao inferninho subterrâneo de Hollywood apresentado por James McKay (um irreconhecível Tobey Maguire) e vai vivenciar nos anos 50 uma experiência de riso e choro diante do encantamento do Cinema ( visto numa sala cheia ) e da experiência que conhece do quanto pode haver de dor por trás das imagens feitas. 

Logo de início somos apresentados a uma grande festa babilônica, onde comparece até um elefante, Nellie LaRoy se exibe para possíveis produtores e Jack Conrad, já estabelecido é levado bêbado para casa por Manny Torres. Mas o que se vê no inferninho apresentado por James é da ordem do inominável. Aqui, nesta festa, ainda há glamour. 

“Babilônia” é um filme de excessos calculados e com filmagens incríveis sejam as simultâneas do Cinema Mudo, onde o som pode vazar, à vontade, como as silentes do Cinema Falado, onde qualquer coisa que não saia como previsto, vai necessitar novo take.

“Babilônia” tem direção, direção de arte, fotografia, trilha sonora etc...nada menos que aliciantes e poderosas, confirmando o que disse William Friedkin num doc , que Damien Chazelle é o cineasta do futuro. “Whiplash”, “La La Land”, “O Primeiro Homem” e agora “Babilônia” confirmam isto. Friedkin convidou Chazelle para ir à sua casa conhecer as obras de arte que colecionou através de suas viagens pelo mundo com seus filmes, privilégio dado a poucos. 







Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo  

O filme mais superestimado de 2022 e não só no Oscar, é “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”, onde temos muito barulho por nada, como diria o bardo inglês. A ideia de explorar o multiverso não é nada nova (aliás “Matrix”, o clássico de 1999 de certa forma já fazia isto e com lutas marciais realmente belas, nada espetaculosas e kitchs como aqui). Em “Tudo...” usa-se este pretexto até para invadir filmes como “2001:Uma Odisseia no Espaço” de Stanley Kubrick, “Amor à Flor da Pele” de Wong Kar-Way, “O Tigre e o Dragão” de Ang Lee, “Kill Bill Volume 1 e 2” de Quentin Tarantino etc... 

A personagem de Michelle Yeoh (trabalho que o filme tem realmente de melhor) trafega por vários universos junto ao marido, à filha (que vai descobrir ser sua maior inimiga...(sic)), tudo numa montagem irritante de um filme longo demais para os seus propósitos, para chegar a conclusões um tanto pueris, óbvias e clichês, a esta altura da História do Cinema. 







Triângulo da Tristeza 

“Triângulo da Tristeza” de Ruben Östlund deu a segunda Palma de Ouro ao diretor, depois de tê-la conquistado também com “The Square- A Arte da Discórdia”. Ele costuma ser acusado de ter a mão pesada, mas este peso nestes dois filmes tem um propósito. No primeiro dinamitar as hipocrisias, tiranias e cinismo por trás das disparidades das lutas de classes. No segundo o alvo são as empulhações do universo das artes conceituais, focando nas agruras de um curador. 

Mas em “Força Maior” Ruben Östlund trabalha com sutileza o tema ligado às obrigações patriarcais, quando um pai abandona sua família na iminência de uma grande avalanche numa estação de esqui que acaba se dissipando, mas deixando marcas profundas nele, na mulher e nos filhos. 

“Triângulo da Tristeza” tem três partes bem distintas mas que dialogam entre si e tem um desfecho em aberto bastante incômodo onde teremos de apelar a nossos valores morais e o que esperamos dos outros para prever o que vai acontecer. Numa apresentação o diretor disse que fez questão de deixar em aberto.  







 

Tár 

Tár de Todd Field (que realizou antes os excelentes “Entre Quatro Paredes” e “Pecados Íntimos”) é o filme mais “cabeça” da temporada. Concentrando-se na vida profissional e pessoal de uma maestrina, Tár, vivida espetacularmente por Cate Blanchett, em alguns momentos exige uma familiaridade com a música clássica para entendermos falas, principalmente numa entrevista e numa aula. Mas é algo que podemos superar.   

Todd escreveu o filme para Cate pois sabia que ela brilharia no papel. A obsessão com Tár é tal que alguns personagens e situações tem elementos que o espectador será obrigado a preencher. 

Mesmo que a cultura do cancelamento não seja o tema do filme, ele é perpassado por ele. Tár descuida-se da visão pública de sua vida íntima como uma mulher lésbica que vive com outra, criam uma filha, mas tem atração por jovens e usa seu poder como regente da Orquestra Filarmônica de Berlim para atraí-las ou afastá-las. O que talvez fosse permitido aos maestros, em Tár é imperdoável e as sequências finais serão impactantes. E Cate está genial tanto com Tár superpoderosa e profissional, quanto na decadência, dando uma volta por cima polêmica. 








 Os Fabelmans 

Com “Os Fabelmans” Steven Spielberg faz seu filme mais objetivamente autobiográfico, mesmo que família tenha sido um dos temas mais frequentes de sua carreira extraordinária. 

Quando criança a família de Sammy Fabelman o leva para assistir “O Maior Espetáculo da Terra” de Cecil B. DeMille. A princípio assustado com o que irá ver, ele sai do cinema vidrado e siderado por tudo que viu, principalmente num realista acidente de trem. Ele vai receber uma câmera de sua mãe e vai começar por um filmete onde reproduz justamente um acidente de trem. 

“Os Fabelmans” vai acompanhando Sammy descobrindo de forma autodidata os potenciais do cinema enquanto linguagem e também o que pode revelar da realidade. É através de uma filmagem que faz, que Sammy vai descobrir que a mãe tem um caso com quem chamam de “tio”, algo que emula “Blow-Up-Depois Daquele Beijo” de Michelangelo Antonioni ( uma morte numa fotografia).  

Paul Dano faz um pai engenheiro que se preocupa a princípio com o filho que não gosta de escolas. Separado da mulher, vivendo com o filho, vai incentivá-lo a ir para a televisão. Michelle Williams compõe a mãe que incentiva o filho no caminho da arte, pois ela mesmo gostaria de ter seguido uma carreira de pianista.

“Os Fabelmans” nos cativa com sequências simples e criativas e tem um momento genial quando David Linch compõe John Ford, já idoso e irascível, dando lições a Sammy sobre o que o Cinema é e não é, quando ele consegue enfim trabalho na televisão.

Na vida real Spielberg vai fazer “Encurralado” para a televisão, terá tanto sucesso que o filme irá para os cinemas e ele vai estrear dentro do espírito da transgressiva Nova Hollywood  com “Louca Escapada”. Mas sua carreira vai ser trilhada por vários caminhos, de forma única na História do Cinema, como um dos seus gênios. 








Os Banshees de Inisherin

Martin McDonagh já tinha dirigido antes Colin Farrell e Brendan Gleeson juntos em “Na Mira do Chefe” (“In Bruges”) com excelente resultado de policial de humor negro. 

Em “Os Banshees de Inisherin” dois amigos de longa data, Pádraic (Colin Farrell) e Colm (Brendan Gleeson) tem a amizade interrompida unilateralmente por Colm com este apresentando razões não convincentes. Diz que o tempo que passa com Pádraic bebendo e jogando conversa fora, poderia ser dedicado a compor uma música que ficasse para a eternidade, que não fosse algo efêmero. Quanto mais Pádraic (Colin excepcional na tristeza que o assoma ) insiste em recuperar a amizade, mais Colm se distancia e fica rígido emocionalmente, fazendo uma ameaça pesada e cumprindo: se o ex-amigo insistir vai cortar dedo das mãos, paulatinamente a cada insistência. Mas como se os dedos são instrumento de composição, do trabalho que diz tanto desejar? 

O filme se passa numa ilha remota na costa oeste da Irlanda, de onde se vê à distância ecos da guerra civil do país. Por mais que Colm se explique temos carga de mistérios em sua atitude que talvez só os Banshees (Espíritos) da Ilha expliquem. Podemos também encarar o filme como uma metáfora da guerra fratricida, ou seja entre irmãos, travada na Irlanda.

Um acontecimento trágico com um dos seus queridos animais vai fazer Pádraic se voltar contra Colm numa relação de amor que se transforma em grande ódio. Colm aceita este ódio, vai pensar que vão ficar quites, mas Pádraic vai ser exigente, considerando que não.

Barry Keoghan (que trabalhou em “O Sacrifício do Servo Sagrado” junto com Farrell), um jovem desajustado com pai tirano e abusador e Kerry Condom como a irmã contemporizadora de Pádraic são ótimos coadjuvantes, detonadores de conflitos.  Sheila Flitton compõe uma bruxa agourenta, como se Inisherin precisasse de mais confusões. 








 Entre Mulheres 

Uma autêntica joia rara dentre os que concorrem a melhor filme, esta obra de Sarah Polley, com elenco esplêndido incluindo Ben Whishaw ( o único homem), Jessie Buckley, Rooney Mara, Claire Foy, Frances McDormand, dentre outras mulheres, tem um tom de tragédia grega, como “As Troianas” de Eurípedes.  

Mulheres forçadamente analfabetas numa comunidade religiosa sofrem vários abusos dos homens, inclusive pedofilia contra seus filhos e tem que descobrir o que fazer de forma urgente, numa reunião com o professor August (Ben Whishaw de “Brilho de Uma Paixão” de Jane Campion), homem raro, com bastante sensibilidade que fez universidade, fazendo anotações: ficar perdoando os agressores; ficar lutando contra eles ou ir embora que é diferente de fugir. 

Um grande complicador é que as mulheres tem de tomar as decisões conciliando-as com suas convicções religiosas. 

O filme tem sequências externas belíssimas que quebram a teatralidade. 

Os homens chegam a utilizar anestesiante de animais para dopar as mulheres e fazer uso de seus corpos para depois culparem demônios, mesmo que as tenham engravidado. Um deles é descoberto e entrega os outros. Enquanto estão presos esperando por conseguir dinheiro para fiança, as mulheres fazem sua reunião urgente com muitas dissidências, a começar pela Scarface Janz de Frances McDormand, que por temor a Deus considera que as  mulheres tem de ficar e perdoar os homens que tanto mal lhes infligiram.  

Já Ona (Rodney Mara) está grávida de estupro, mas ama sua criança e também August, no que é correspondida.  Salomé ( Claire Foy) se enche de ódio contra tudo o que está acontecendo. 

O filme baseia-se numa história real ocorrida em 2010 na Colômbia numa comunidade menonita, sendo baseado no livro homônimo de Miriam Toews, o que deu o prêmio de melhor roteiro adaptado no Sindicato dos Roteiristas. O filme transferiu a história para os EUA.  https://pt.wikipedia.org/wiki/Menonitas

Mariche (Jessie Buckley) é casada com Klauss que volta antes de todos, em busca de fiança, sequestrando cavalos, a tempo de, bêbado, ainda bater na mulher, deixando seu rosto com fortes marcas.   

Nestes conflitos entre Religião e Violência o filme tem toques bergmanianos como em “A Fonte da Donzela”. Como ficar e lutar com violência se isto é contra os desígnios de Deus? E qual o limite do perdão? Quando passa-se deste para a permissividade? 

 









RRR (Revolta, Rebelião, Revolução)

Este filme extraordinário como grande espetáculo épico de  Tollywood, na Índia, falado em telugu, um idioma diferente do hindi, dirigido por S.S. Rajamouli, que lamentavelmente a Índia não indicou para Filme Internacional, foi indicado ao Oscar de Melhor Música. Isto é muito pouco. Deveria ter sido indicado a Melhor Filme, Direção, Montagem, Trilha Sonora, Som e Efeitos Especiais.







Não assisti a “Top Gun: Maverick” pois desconfiei que fosse uma patriotada americana, com missões a cumprir que devem ser cumpridas, não importa quais sejam. Pensou em Iraque, Vietnã, Afeganistão, Coréia etc...? Bingo. Enfim, um filme ideologicamente indigesto para mim. Pois foi exatamente isto que escreveu o crítico Marco Fialho que acompanho no Facebook sobre este filme. Por mim não teria entrado na lista de Melhor Filme. Ser uma das maiores bilheterias do ano não o qualifica. 

Como Melhor Filme gostaria que “Os Banshees de Inisherin” de Martin McDonagh vencesse, mas como já foi bastante consagrado pelo SAG, PGA, DGA, Sindicato dos Roteiristas, Independent Spirits Awards, etc...  acredito que o insosso e frenético até cansar  “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo” seja o vencedor nesta categoria.

2.2 Melhor Direção

Gostaria que Damien Chazelle tivesse sido indicado a esta categoria por “Babilônia”. Dispensaria Os Daniels. 

Quem gostaria de ver no páreo é Baz Luhrmann por Elvis. 

Gostaria que ganhasse Steven Spielberg por “Os Fabelmans” onde ele cria forte magia com poucos elementos.  Spielberg deveria ter tido mais prêmios por seu extraordinário “West Side Story” no ano passado. Mas quem deve ganhar são os queridinhos da vez, que eu deixaria de fora dos concorrentes: Daniel Kwan e Daniel Schinert.    

2.3 Melhor Ator 

O argentino Ricardo Darín em “Argentina, 1985” nos entrega mais um grande desempenho e, no entanto, ao contrário do espanhol Javier Bardem (que já foi indicado a Oscars de Melhor Ator algumas vezes e ganhou como Melhor Ator Coadjuvante por “Onde os Fracos Não Tem Vez” dos Irmãos Coen), nunca teve nenhuma indicação. Infelizmente não foi neste Oscar 2023 que essa injustiça foi corrigida. 

A Baleia 

Sem dúvida é o desempenho de Brendan Fraser numa volta por cima sensacional na carreira depois de anos sem bons papéis, vivendo forte depressão, perseguições por ter denunciado assédio sofrido, que “A Baleia” tem de melhor. E não são as fortes camadas de próteses variadas para transformar seu Charlie num homem de obesidade mórbida de mais de 270 quilos que fazem a maior diferença. Seu trabalho é muito bom pelos olhares sensíveis e penetrantes que lança a nós espectadores, num filme de base bastante teatral, com poucas cenas externas.  

Mas se Brendan Fraser é o melhor deste filme do sempre polêmico Darren Aronofsky, ao contrário do que dizem este não é de forma alguma ruim. O arcabouço dramatúrgico é muito bom, faltando ser melhor desenvolvido. 

Charlie é um professor de criação literária e Literatura via web cam com vários alunos, mas ele alegando que seu computador está com problema na câmera, ele a deixa escura, com o centro sem imagem alguma, temendo ser visto tão gordo pelos seus alunos. 

Há oito anos atrás Charlie largou a esposa Mary (Samantha Morton) para viver com um homem por quem se apaixonou. Este era de família bastante religiosa e foi proscrito por ela. Não suportou esta barra e se matou. Sua irmã Liz ( Hong Chau) que sempre viveu longe dos valores da família, não se importando se é proscrita ou não, como enfermeira que é, vai cuidar de Charlie que entrando em forte depressão compensou bastante na comida, até se tornar o homem assustador que algumas sequências mostram, mas não são muitas. De modo geral o vemos sentado ou numa cadeira rodante que Liz comprou.

Surgem dois personagens problemáticos, mas Charlie os trata com bastante generosidade: a filha Ellie (vivida com overacting por Sadie Sink) e o jovem evangelizador Thomas (Ty Simpkins). Charlie quer deixar todo seu dinheiro para a filha em vez de ir a um hospital se tratar. Diz isto claramente a Mary quando ela o visita e lhe conta o quanto a filha é terrível, pela ausência de pai que teve e que ela chegou a colocar imagem de Charlie enorme de gordo nas redes sociais. Mas fica claro que depois que foi abandonada por um homem, Mary deixou Charlie longe da filha, tendo sua parcela de culpa. Sai eletricidade e certa ternura no reencontro de Charlie com sua ex-mulher.

O desfecho de “A Baleia” lembra o de “O Lutador” que deu o Leão de Ouro em Veneza a Darren e a Copa Volpi de Melhor Ator a Mickey Rourke. Mesmo com a morte espreitando vale a pena um último grande esforço. Em “A Baleia” como professor de Letras, Charlie se vale da força do texto de “Moby Dick” de Herman Melville. 

Dizer que temos um filme barroco em se tratando de Darren é chover no molhado. Foi assim com “mãe!”, “Réquiem Para Um Sonho”, “Cisne Negro”(filmes de extremos) e de certa forma com o mais realista “O Lutador”.

Há um sujeito oculto em “A Baleia”: o péssimo sistema de saúde americano. Se fosse para um hospital, rapidinho Charlie gastaria suas economias e continuaria em apuros. Melhor presentear a filha de quem quer recuperar a afeição. Só que a atriz poderia manter seu diapasão dramático um pouco mais nuançado. 

E faz sentido mais uma vez temática religiosa aparecer num filme de Darren, dado que Charlie está vivendo no limite entre a vida e a morte. E se ele não quer pensar em Deus pois seu companheiro o veria como ele está agora, outros querem pensar em Deus por ele, algo muito comum. 








Como Melhor Ator gostaria que vencesse Colin Farrell por “Os Banshees de Inisherin”, com sua profunda melancolia (num segundo plano Austin Butler, sensacional, por “Elvis”), mas acredito que deva vencer mesmo Brendan Fraser, pois a academia adora uma volta por cima para um discurso emocionante, principalmente sincero.  

2.4 Melhor Atriz 

Gostaria que Margot Robbie tivesse sido incluída nesta categoria, pois conforme já comentamos, tem trabalho excepcional. Para tal pelo marketing inusitado e estranho de redes sociais junto aos votantes, eu não incluiria Andrea Riseborough por “To Leslie”. 

Gostaria que vencesse Cate Blanchett por “Tár” e acredito que vença também o Oscar. Não posso crer que numa disputa assim premiem Michele Yeoh pelo famigerado “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”, cometendo o desatino do Sindicato dos Atores.

2.5 Melhor Ator Coadjuvante

Gostaria que Ben Whishaw tivesse sido indicado na categoria por “Entre Mulheres”. Idem para Diego Calva por “Babilônia”. Judd Hirsch e Ke Huy Quan estão superestimados nesta categoria. 

Quem gostaria que vencesse é Brendan Gleeson por “Os Banshees de Inisherin” . Mas quem acredito que vá vencer é Ke Huy Quan por “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”, infelizmente, pois Gleeson tem momentos sublimes. 

2.6 Melhor Atriz Coadjuvante

Gostaria que uma ou duas das mulheres de “Entre Mulheres” tivesse sido indicada, seja Jessie Buckley, Rooney Mara ou Claire Foy, todas esplêndidas em suas emoções diversas diante de um mesmo grande dilema.

Quem eu gostaria que vencesse na categoria é Kerry Condon por “Os Banshees de Inisherin” . Ela é a tolerante irmã de Pádraic e quando resolve ir embora da ilha para trabalhar vai desestabilizar duas pessoas.  Mas quem deve vencer é Jamie Lee Curtis por “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”, mesmo com interpretação bem caricata. 

2.7 Melhor Roteiro Adaptado 

Gostaria que vencesse o de “Entre Mulheres” de Sarah Polley. Mas quem deve vencer é o de “Nada de Novo no Front”, que não seria uma má escolha. Um filme de muitas qualidades. 

2.8 Melhor Roteiro Original 

Gostaria que vencesse o de “Os Banshees de Inisherin”, mas quem deve vencer é “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”. 

2.9 Melhor Filme Internacional 

“Close” de Lukas Dhont como representante da Bélgica selecionado entre os cinco para a categoria trabalha a enorme sutileza como “Aftersun”. Mas “Close” tem algo que falta a “Aftersun”: um excelente roteiro.

Os adolescentes Léo (Eden Dambrine, magnífico) e Rémi (Gustave De Waele, não menos magnífico) são amicíssimos e brincam bastante, principalmente andar de bicicleta e correr pelos campos bastante floridos, chegando a dormir juntos e com manifestações de carinho variadas que a câmera do diretor capta muito bem com muitas belíssimas imagens e poucas palavras. 

O que fica claro é que se trata de uma grande amizade. Se há ou não homoerotismo ou desejo de homoerotismo isto o diretor faz questão de sonegar aos espectadores. O que quer focar é até onde pode ir a amizade entre homens em sociedades conservadoras, machistas e homofóbicas.  

Quando os dois são imersos na escola surgem os comentários maldosos e a amizade dos dois não será mais a mesma. Léo não vai deixar Rémi descansar em sua barriga no pátio junto aos outros jovens e chega a praticar um esporte que desperta adrenalina típica da masculinidade: o hóquei no gelo. Algo que joga com compulsão tal que vai acabar se ferindo, a ponto de ter de engessar o braço.  

O filme tem um turning point bastante significativo que vai redefinir a dramaturgia do filme. A primeira parte é bem mais bonita. Já o realismo nu e cru surge com cada vez mais força na segunda.









 

O filme que gostaria que vencesse como Melhor Filme Internacional é “Argentina,1985” de Santiago Mitre, representando a Argentina. As razões ficam claras na minha postagem anterior. Mas quem deve vencer é “Nada de Novo no Front”, que não é uma má escolha.




 

2.10 Melhor Trilha Sonora 

A trilha que gostaria que constasse é a de “Pinóquio de Guillermo Del Toro de Alexandre Desplat. Claro que dispenso a de “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”. 

A Trilha Sonora que gostaria que vencesse é a de “Babilônia” de Justin Hurwitz, colaborador habitual de Damien Chazelle. A que acredito que vá vencer é a de “Nada de Novo no Front” que não seria uma má escolha.

2.11Melhor Animação em Longa Metragem 

A que gostaria que vencesse é “Pinóquio de Guilhermo Del Toro” e é exatamente aquela que acredito que vencerá o Oscar na categoria. Uma autêntica barbada. 





2.12 Melhor Animação em Curta Metragem 

Sem conhecimento para fazer escolhas. 

2.13 Melhor Som 

Eu dispensaria “Top Gun: Maverick” e incluiria “Babilônia”.

O Oscar de Melhor Som deveria ir para “Elvis”, mas deve vencer “Avatar: o Caminho da Água”.

2.14 Melhor Curta Metragem em Live-Action 

Sem conhecimento para fazer escolhas. 

2.15 Melhor Figurino

Eu retiraria “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo” e incluiria “Entre Mulheres” na lista.

O que quero que vença é “Elvis” ( num segundo plano “Babilônia”), mas acredito que vença “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”.





2.16 Melhor Documentário em Curta Metragem

Sem conhecimento para fazer escolhas.   

2.17 Melhor Documentário em Longa Metragem 

Sem conhecimento para fazer escolhas.

2.18 Melhor Edição 

Eu retiraria “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo” e incluiria “Babilônia”. 

Gostaria que “Elvis” ganhasse, mas desconfio que “Top Gun: Maverick” deverá vencer o Oscar nesta categoria. 

2.19 Melhor Design de Produção 

Gostaria que “Babilônia” ganhasse, mas desconfio que “Avatar: O Caminho na Água” vença nesta categoria. 

2.20 Melhor Fotografia 

Por tudo que li eu retiraria “Império da Luz” e incluiria “Babilônia”.

Eu gostaria que “Elvis” vencesse, mas acredito que “Nada de Novo no Front” vença, o que não é uma má escolha.



2.21 Melhores Efeitos Visuais 

 O que gostaria que ganhasse é “Nada de Novo no Front”, mas o que acredito que vença na categoria é “Avatar: o Caminho das Águas”, o que não seria uma má escolha. 



2.22 Melhor Cabelo e Maquiagem

O que gostaria que ganhasse é “A Baleia” e é quem eu acredito que vença mesmo. 

2.23 Melhor Canção Original 

Faltou incluir “Ciao Papa” uma das lindas canções de “Pinóquio de Guilhermo Del Toro”. ( https://cinepop.com.br/pinoquio-ouca-ciao-papa-musica-original-da-nova-animacao-de-guillermo-del-toro-375403/ ). 

A que gostaria que vencesse é Naatu Naatu ( M.M. Keeravaani  - RRR) e é a que acredito que vença mesmo. ( https://www.letras.mus.br/mm-keeravaani/naatu-naatu-feat-kaala-bhairava/ )